Cooperativismo debate dificuldades no crédito rural

A concessão de crédito rural por meio do sistema de cooperativa foi tema de debate da reunião do colegiado de Cooperativismo nesta terça-feira (14).
A concessão de crédito rural por meio do sistema de cooperativa foi tema de debate da reunião do colegiado de Cooperativismo nesta terça-feira (14). A comissão recebeu representantes do sistema Cresol (Cooperativas de Crédito Rural Solidário) para falar sobre o funcionamento do sistema, os atuais desafios e as dificuldades enfrentadas. 
 
A crise financeira e a seca dos últimos ciclos de produção foram citadas como fatores que têm prejudicado o trabalho dos pequenos produtores. De acordo com o vice-presidente da Cresol Noroeste Capixaba, Idis Gonçalo da Silva, outro  problema é a forma de aplicação do recurso obtido por meio do Crédito Rural. 
 
“Ao acessar o crédito rural, o agricultor precisa ter vários cuidados, como o controle das notas fiscais e também a preocupação em seguir o projeto técnico previsto. O agricultor é responsável pela aplicação correta desse recurso”, explicou o vice-presidente.
 
Além disso, outra dificuldade é a monocultura do café. A maior parte do crédito rural concedido por meio das cooperativas é destinada a essa produção agrícola.
 
“Se temos um problema na produção cafeeira, como é o caso da seca que estamos vivendo, a cooperativa fica muito prejudicada porque grande parte do crédito é concedida apenas para esse tipo de produção”, explicou Idis da Silva.
 
A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Marcos Mansur (PSDB). “Se o Brasil quer trabalhar sério para o desenvolvimento social, precisamos olhar para o sistema de cooperativas. É uma alavanca para dar um salto na economia brasileira. E para o pequeno produtor, aquela família que precisa de recursos e de condições para se manter no campo, o crédito rural é muito importante. Se não existe a figura da cooperativa para fazer esse trabalho, o pequeno produtor fica prejudicado e não consegue ter acesso a recursos”, declarou Mansur. Também participaram da reunião os deputados Dr. Hércules (PMDB) e Hudson Leal (PTN).
 
Sistema Cresol
 
O público do sistema Cresol é o agricultor familiar e recentemente também passou a abranger os produtores de economia solidária. As cooperativas são dirigidas pelos próprios agricultores e o sistema trabalha oferecendo acesso ao crédito e produtos financeiros, tendo como foco o desenvolvimento e a inclusão social dos envolvidos. 
 
O Cresol está estruturado em duas cooperativas: a Cresol Noroeste Capixaba (com sede em Colatina) e a Cresol Extremo Norte (com sede em Nova Venécia). As duas cooperativas possuem abrangência em 36 municípios capixabas, 12 unidades de atendimento no Estado e mais de sete mil cooperados. Os recursos são provenientes do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). 
 
Crédito Rural
 
Para disponibilizar crédito para seus cooperados, a Cresol trabalha de duas formas: com recursos do governo federal e com recursos próprios, dos cooperados. De acordo com o vice-presidente da Cresol Noroeste Capixaba, Idis Gonçalo da Silva, no plano Safra de 2015/2016, o sistema Cresol conseguiu R$ 8,9 milhões em recursos públicos federais, que foram utilizados em mais de 500 contratos de empreendimentos ligados à área rural, como leite, banana, cacau, café, coco, manga e pimenta-do-reino.
 
Com relação aos recursos próprios, no ano de 2015, a carta comercial era de R$ 13,5 milhões. Somente no primeiro trimestre de 2016, R$ 3,7 milhões foram destinados a produtores rurais como empréstimo.
 
“A cooperativa funciona assim: quem tem condições no momento, investe, e esse recurso pode ser utilizado para emprestar para aquele produtor que está precisando”, explicou Idis da Silva. 
 
De acordo com o vice-presidente da cooperativa, no ano passado a Cresol deu um grande passo, que foi ser reconhecida pelo Governo do Estado como agente financeiro oficial para o repasse de crédito rural. Apesar das dificuldades e do cenário de crise, a perspectiva é de positiva. A Cresol estima que o balanço de 2016 aponte crescimento de 22% do crédito próprio e 25% do recurso do governo federal. 
 
Educação cooperativista
 
A Cresol também tem um projeto voltado para a educação. O programa “Um olhar para o futuro” desenvolve oficinas em salas de aula voltadas para o cooperativismo, a educação financeira e a agricultura familiar.
 
“Nós levamos os alunos desse programa para conhecer o trabalho de uma cooperativa e perceber a importância dessa parceria. É uma troca entre o Cresol e as escolas que estão em área rural”, explicou Idis da Silva.
 
O vice-presidente ainda falou do desafio do trabalho das cooperativas no cenário atual.
 
“Falar de cooperativismo em um mundo capitalista não é fácil, temos a impressão de que estamos na contramão do mundo. Ainda assim, queremos deixar a mensagem de que o melhor lugar para se fazer cooperativismo é dentro de nossas casas, ajudando uns aos outros”, afirmou.
Fonte: Gabriela Zorzal/Web Ales

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