Agricultura reivindica crédito mais barato para se recuperar

Efeitos de dois anos seguidos de seca ainda afetam os produtores rurais do Estado
Os dois anos consecutivos de seca registrados no Espírito Santo continuam refletindo em prejuízos para o agronegócio capixaba, que, para conseguir se reerguer em 2017, tem pleiteado linhas de crédito mais baratas e acessíveis.
 
Para a Federação da Agricultura do Estado do Espírito Santo (Faes), essa é uma condição necessária para que as famílias do campo possam ter as condições mínimas de custeio, de fazer novos investimentos, voltar a produzir e ter chances de colher.
 
“Quase a totalidade dos produtores precisa do recurso de empréstimo, porque a atividade é dinâmica e as despesas são muito altas”, queixa-se o presidente da entidade, Júlio Rocha.
 
Brigam por melhores condições de acesso ao crédito segmentos como o do café, da pimenta e da fruticultura. Diante desse quadro, o secretário de Agricultura do Espírito Santo, Octaciano Neto, defendeu a queda da taxa de juros do Plano Safra 2017/2018 do governo federal.
 
“Com a queda da taxa Selic, o custeio da safra ainda está com juros muito altos. É importante que o conselho formado pelos secretários de agricultura do País faça um manifesto em defesa da queda dos juros, defendendo a volta do patamar existente há três anos”, avalia Octaciano.
 
O argumento foi apresentado durante reunião do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri), que aconteceu em São Paulo (SP) e resultou em encaminhamentos como o pedido para que o governo federal reduza os juros do Plano Safra em 3%, diminuição que seria possível devido à queda da inflação e da taxa básica de juros (Selic).
 
O conselho também defende a necessidade da redução das taxas nas linhas dos fundos constitucionais acessados pelos produtores, por isso será necessário que o governo federal disponibilize pelo menos R$ 200 bilhões para o Plano Safra, da agricultura empresarial, e R$ 22 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
 
Renegociação
 
Outra demanda do setor, segundo a Faes, é a melhoria das condições de renegociação das dívidas de produtores que tiveram suas atividades afetadas pela seca. O presidente da entidade alerta que o nível de endividamento é grande no setor, que sofre para arcar com os empréstimos devido à queda geral na produção.
 
“Precisamos encontrar uma forma de negociação que atenda as necessidades dos produtores. Embora precisando do dinheiro, eles ficam temerosos de assumir mais compromissos quando têm dívidas pendentes. Isso inviabiliza o desempenho do setor”, defende Júlio Rocha.
 
As instituições financeiras, por outro lado, dizem que estão negociando, caso a caso, a situação dos produtores. No Espírito Santo, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco do Nordeste, Banestes, Bandes e Sicoob a renegociarem as dívidas dos produtores. Somente essas instituições possuíam, no segundo semestre do ano passado, cerca de R$ 1,7 bilhão em parcelas de crédito, a vencer em 2016, passíveis de renegociação.
 
Apenas no Sicoob, os agricultores que atuam em municípios que tiveram situação de emergência ou de calamidade pública reconhecida pelo Ministério da Integração Nacional, em decorrência da seca, renegociaram até o momento R$ 151,2 milhões em empréstimos.
 
A medida, autorizada pelo Banco Central, abrange 2.280 contratos e contempla o parcelamento das transações realizadas em 2015 e em 2016, já vencidas ou que deveriam ter sido quitadas até o final do ano passado. Para as operações de custeio, o prazo de pagamento, que era em média de um ano, passa a ter até cinco anos a mais, de acordo com a renda do associado.
 
“Definimos o vencimento da primeira parcela para depois da colheita de 2018, uma vez que a produção para este ano já está comprometida”, afirmou Bernadina. As parcelas referentes a investimento foram prorrogadas por até um ano.
 
Condição especial para produtores
 
O Banco do Brasil anunciou a oferta de R$ 12 bilhões para a aquisição antecipada de insumos – o pré-custeio – na última quinta-feira. O volume é ofertado em linhas com recursos controlados, oriundo das captações próprias da Poupança Rural e dos Depósitos à Vista, representando uma elevação de 20% ao volume desembolsado na atual safra, que se encerra em 30 de junho de 2017.
 
Parte desses recursos será destinada aos médios produtores do Espírito Santo, no âmbito do Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais (Pronamp) com taxas de 8,5% a.a., até o teto de R$ 1,5 milhão. Os demais produtores rurais acessam o crédito com encargos de 9,5% a.a. até o teto de R$ 3 milhões, descontados os valores de recursos controlados já contratados no semestre anterior.
 
Na avaliação do banco, a antecipação dos financiamentos de custeio para as culturas da safra de verão 2017/2018, a exemplo de soja, milho, arroz e café, permite melhores condições aos produtores para o planejamento de suas compras junto aos fornecedores e contribui para o incremento das vendas de sementes, fertilizantes e defensivos, proporcionando maior rentabilidade aos empreendimentos e produzindo reflexos positivos em toda a cadeia produtiva.
 
“O apoio técnico e creditício que o BB oferece contribuiu para a melhoria das condições produtivas e de modernização dos empreendimentos rurais”, diz uma nota do banco.
 
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Com informações do portal Gazeta Online.

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